
Teria sido tão mais fácil fazer o meu pai viajar 500 km para instalar o meu ventilador de teto (sim, ele é eletricista!) do que passar pelo que eu passei hoje, em pleno domingo, dia da minha folga. Chamei um eletricista, por indicação da loja onde comprei o meu ventilador, marcamos para depois do meio-dia. Estava tudo certo.
Toca meu celular, era ele avisando que estava almoçando e que em minutos chegaria aqui. Ótimo, pensei. Eis que toca o interfone, era o dito cujo. Desci no elevador com uma vizinha e estávamos comentando sobre o meu trabalho e tal... Quando eu cheguei perto do portão, bem próximo do eletricista, eu ainda conversava com a moça sobre meu trabalho, quando ele escutou e disse: -Seu trabalho deve ficar próximo a igreja que eu frequento. E eu, muito ingênua, querendo parecer simpática, dei continuação ao assunto e disse que conhecia a tal igreja. Isso bastou para tornar a minha tarde de domingo, um inferno.
Subo o elevador, começo a sentir os primeiros indícios de que essa instalação de ventilador duraria o equivalente há um século pra acabar. Minha vontade era simplesmente de esquartejar a pessoa que me indicou o cara para vir até aqui. No mínimo estava de TPM ou com algum sentimento de vingança contra o mundo, ou qualquer outra coisa do gênero.
Em resumo tive que ouvir o cara falar de toda a família de encostos, pomba gira e companhia, sobre vozes que ele ouvia, da guerra dele contra o capeta e tudo mais. Fanático. Mas fanáááático, saca? Isso deve ter durado umas 2 horas, enquanto falava sem parar, ele fazia a instalação. Eu, furiosa, de saco cheio e já sem muita paciência, quando por vezes ele me olhava pra ver se eu estava prestando atenção no que ele dizia, e lá estava eu... com cara de gato de botas do Sherek. Pra minha salvação, de repente toca o meu celular. Era minha mãe.
-Oi filha tudo bem?
-Tudo sim e com você mãe? Como vai? E o mano tá bem?
-Tudo sim, tudo certo, liguei para saber como estava...
-Espera, espera...Como vai o pai? Háá e a vó? Os gatos? A tia? O tio? O cachorro?
-Errr... nós não temos cachorro! Está tudo bem mesmo?
-Sim, sim...está!
Desligamos, mas tudo o que eu queria era matar tempo no telefone, perguntando da família inteira, ou da cidade toda se fosse o caso, pra'quele encosto terminar a instalação e ir embora.
Bom, tudo bem, não foi dessa vez. Mas ainda havia esperança, o telefone tocou outra vez! Consegui mais uma vez interromper aquele assunto nada interessante, tentei segurar meu amigo na linha o máximo que eu pude. De repente meus olhinhos brilharam e se encheram de esperanças quando o cara testou o ventilador e já estava funcionando que é uma beleza! Hááá que alivio, nunca pensei que ficaria tão feliz em ver um ventilador funcionando. Mal podia acreditar que o ventilador já estava pronto. "Agora essa mala pega o dinheiro e vai embora", pensei.
Errado! Ele continuou falando e falando e falando. Então fiz movimentos clássicos que usamos para tocar alguém, para enfim conseguir tocar o encosto daqui. Foi simples: Levantei do sofá, fui em direção à minha bolsa e peguei a carteira. Ráá!!! Agora sim, agora sim tenho certeza que ele se toca e vai embora! Pensei novamente. Quando de repente...
-Você poderia me dar um copo de água?
-Há sim, claro. Um momento! (Tá, agora sim ele toma essa água e vai sumir daqui!)
Ainda não foi dessa vez...! Droga! Mas eu sentia que estava quase lá. Em breve aquele Exú ia desaparecer da minha sala cor-de-rosa. Quando escuto, tudo o que eu não queria escutar, mas tudo bem, ele já estava de saída, eu tinha certeza disso.
-Posso usar o seu banheiro?
-Há claro! (Ufaaa...agora sim, não tem erro! Ele faz um xixizinho rápido e some daqui.)
1 minuto se passou. E 2 e mais 3, 4, 5... E nada do Exú sair por aquela porta do banheiro. E naqueles longos minutos de espera, talvez os mais longos da minha vida, por que o Exú já não estava mais diante dos meus olhos e sabia Deus o que ele estava fazendo dentro do meu banheiro. "Meu Deus ele deve estar fazendo algum saravá ali dentro", "Não vou mais ter coragem de entrar ali! ", "Como vou viver apartir de hoje sem banheiro"? "Vou usar o banheiro dos vizinhos? "Não vou mais fazer xixi?", " Será que a descarga levou ele pra outro planeta?","...Ou Foi tragado , absorvido pela privada? "
E enquanto eu viajava no pensamento, ele aparece. Em meio a uma nuvem. Sim, o cara defecou no meu banheiro e eu queria morrer por isso. Ninguém poderia imaginar que quando eu falava pelo celular com ele mais cedo, quando ele ainda estava almoçando, que todo o almoço dele ficaria ali na minha privada. Arrrghhh com que direito? Quem ele pensa que é?
Claro, oras, eu sei... banheiro é banheiro e está ali pra ser usado ué, eu já devia saber isso. Lógico que teria sido pior se ele tivesse pedido a minha permissão para expelir todo o almoço dele ali....
-Posso defecar no seu banheiro?
Não, não... Isso seria demais pra um domingo só.
Juro que ficaria escutando ele falar por mais umas 2 horas ou 3, se tivesse sido poupada da parte do cocô. Taí a prova de que o barato, sai caro.